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Conexão entre quem precisa de atendimento e quem pode doar tempo para ajudar

Conheça o trabalho do Instituto Horas da Vida, uma das 100 melhores ONGs de 2020

O cuidado com a saúde deveria ser um direito de todos, mas ainda existem milhões de brasileiros que não conseguem acessar o sistema de saúde. O Instituto Horas da Vida ajuda a suprir essa lacuna coordenando uma rede de profissionais de saúde voluntários e empresas do segmento que topa dedicar parte do seu tempo para quem não pode pagar.

A ONG tem um modelo de trabalho único e que já atendeu mais de 70 mil pessoas, num projeto inovador que garante atendimento médico e psicológico a pessoas em situação de vulnerabilidade social. A ideia é tão boa e o trabalho tão bem feito, que o Horas de Vida também está na lista das Melhores de 2020 e é seu fundador, Rubem Ariano, quem responde às perguntas do nosso blog hoje. Boa leitura!

Qual é a história que deu origem à ONG? Depois de uma carreira promissora no mercado financeiro, resolvi partir para um ano sabático, em 2010, viajando pela Mongólia e pela Inglaterra, com a intenção de revisitar seus objetivos de vida e buscando oportunidades que, de fato, atendessem grandes demandas da sociedade. A ideia de trabalhar com saúde e a concepção de modelo do Horas da Vida surgiram assim que voltei ao Brasil, em 2011, durante um bate-papo com um médico a quem me associei para criar uma startup de agendamento de consultas. Da conversa surgiu a pergunta: será que esses profissionais da saúde que estarão conosco, atendendo pacientes no dia a dia, também não topariam doar parte de suas horas para atender quem não pode pagar? Foram meia dúzia de ligações para amigos médicos e havíamos nos tornado um grupo de conexão entre quem precisa de atendimento e quem pode doar tempo para ajudar. Não houve um planejamento, apenas a vontade de fazer alguma coisa que tivesse impacto. O Instituto surgiu assim: de uma ruptura profissional inesperada, engatada a uma ideia genuína de fazer a diferença. Tudo na base da compaixão e da vontade que profissionais de saúde têm em contribuir com as causas sociais.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? E os planos? O nosso maior desafio tem sido adaptar todas as iniciativas para o meio digital, uma vez que mais de 90% de nossas atividades aconteciam de maneira presencial até março de 2021, entre elas, consulta em 30 especialidades, tratamentos de fisioterapia, exames, mutirões e ações de educação em saúde. Implantamos uma plataforma de telemedicina, com prontuário e receituário eletrônico, que atende 100% das diretrizes da LGPD, além de uma rede interna que permite o acesso pelos times que permanecem em home office, além de ferramentas de gestão financeira, contábil e de projetos. Tudo de forma digital, prática e acessível. Também estamos, neste momento, passando por um ciclo de planejamento estratégico com apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A ideia é aproveitar os aprendizados da pandemia para trabalhar arduamente num plano de expansão nacional, especialmente com a frente de telemedicina, levando saúde e atendimento médico em especialidades chave para áreas remotas em todo país.

Conta pra gente o maior orgulho do trabalho ou uma história de voluntariado? Difícil escolher uma única história ou momento marcante desde o início do instituto Horas da Vida. Temos muitas lembranças que enchem o nosso coração de orgulho, desde crianças com 9 graus de miopia que passaram a enxergar depois da chegada do seu primeiro óculos, voluntários que se curaram de depressão por realizar atendimentos no instituto, pessoas que conseguiram um emprego após o tratamento dentário. Todas essas histórias têm sua importância e seu valor.

Mas, me lembro de uma ação que aconteceu em 2019, em uma feira de saúde no Sertão da Bahia, o chamado triângulo da pobreza. Naquela ocasião atuávamos como coordenadores técnicos do nosso núcleo de atendimento em gastroenterologia, incluindo a realização de consultas, exames de endoscopia e dispensação de medicamentos. Logo no início dos atendimentos, realizamos a endoscopia de um homem de aproximadamente 43 anos que apresentava sintomas típicos de uma esofagite leve. Para nossa surpresa, já nas imagens foi possível identificar que se tratava de um câncer no esôfago em fase inicial. Imediatamente, enviamos as amostras da biópsia para análise e por meio da articulação de parceiros e laboratórios que nos apoiaram na iniciativa e o paciente foi transferido para São Paulo, onde realizou procedimento cirúrgico e o tratamento adequado, que garantiu sua rápida recuperação. Foram sete dias de ação, mas salvar esta vida, já valeu a pena. Foram mais de 400 endoscopias realizadas, mais de 8 mil benefícios em saúde entregue entre consultas, exames e medicamentos. Nunca vou esquecer os dias após o mutirão quando estávamos com as equipes fazendo compras em uma feira livre local e os moradores, muitos deles que haviam sido atendidos na ação, nos cumprimentavam, nos presenteavam com frutas e nos convidavam para tocar café em suas casas. Este gesto de carinho e gratidão, não tem preço!

Foto: divulgação/ Horas de Vida

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