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“TETO é casa, mas também é transformação, é comunidade, é sonho e ação”

Conheça mais sobre o trabalho da ONG, que atua no país há mais de 14 anos e está entre as 100 melhores reconhecidas pelo nosso Prêmio

Construir um país justo e sem pobreza. Com esse objetivo principal, a TETO foca sua atuação nas favelas mais precárias e invisíveis do país, onde milhares residem em áreas frequentemente em risco ou sem infraestrutura, realidades que o trabalho quer ajudar a superar. “Afinal, as favelas precárias são também centros de inovação e manifestação do poder do trabalho em comunidade pelo bem comum”, diz o site da ONG que, em 2020, foi reconhecida pelo Prêmio Melhores ONGs como uma das 100 melhores do Brasil.

Nossa entrevistada de hoje é a Diretora Executiva da TETO, Camila Jordan. Ela conta sobre o trabalho em associação com a organização internacional TECHO, presente em 18 países da América Latina e há mais de 14 anos no Brasil. Saiba mais sobre os desafios e recompensas de mobilizar voluntários e voluntárias para atuar lado a lado de moradores e moradoras em comunidades precárias de diferentes estados e regiões. Boa leitura!

Qual é a história que deu origem à ONG? Estabelecida primeiro no Chile em 1997, no Brasil, a TETO | TECHO chegou oficialmente em 2006, estabelecendo um escritório em São Paulo. Através do nosso modelo de trabalho e os projetos de infraestrutura buscamos contribuir com a superação da pobreza e a construção de uma sociedade justa. De lá para cá, a TETO foi ampliando sua atuação, passou a refinar não apenas os projetos de moradias emergenciais, mas também o desenvolvimento de capacidades comunitárias através de projetos de mapeamento, diagnóstico, infraestrutura comunitária e análise de dados.

Hoje, atuamos em 7 estados brasileiros e no Distrito Federal, sempre lado a lado das comunidades, realizando atividades que não só constroem soluções concretas de moradia e habitat, mas através dessa construção fortalecem as comunidades e levantam dados capazes de guiar as comunidades, a TETO e outros atores da gestão pública em suas tomadas de decisão.

Como organização latino-americana, a TECHO surgiu no Chile quando jovens participaram da adaptação de uma moradia para capela em uma comunidade em Curanilahue. Nesta experiência, o grupo se deu conta que o trabalho lado a lado na construção de uma solução concreta possibilita uma transformação muito mais profunda do que as ações que eles vinham fazendo até então. Passam a se questionar se poderiam ir além da adaptação da moradia e de fato construir moradias com as famílias que viviam ali. E assim, começam as primeiras atividades. Para saber mais detalhes, ainda recomendamos o livro: Tudo começou em Curanilahue.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? E os planos para esse ano e próximo? O nosso maior desafio de gestão é o alto compromisso que temos com as comunidades juntamente com uma equipe grande de voluntariado, mais de 400 pessoas espalhadas pelo Brasil. O nosso voluntariado é altamente engajado, no entanto, isso não quer dizer que não tenhamos desafios em equilibrar o tempo e compromisso que as pessoas têm nas suas vidas para além do trabalho voluntário.

Estamos atualmente terminando o nosso planejamento estratégico para os próximos 3 anos onde vamos focar em ampliar as nossas soluções habitacionais juntos das comunidades e buscar através da nossa tecnologia social a transformação a longo prazo das estruturas que causam a desigualdade.

Conta pra gente o maior orgulho do trabalho ou uma história de voluntariado? O maior orgulho da TETO é poder não só presenciar a transformação profunda das pessoas com as quais trabalhamos mas também ter o privilégio de passar por essas transformações também. Recentemente, facilitamos o processo do Olhar Participativo Comunitário na favela Boca do Sapo em São Paulo. Após a colheita de dados e diagnóstico quantitativo sentamos com mais de 60 pessoas em rodas para sonhar um futuro para a sua comunidade. Foi um processo de crescimento, porque para crescermos precisamos sempre olhar para dentro, identificar as nossas dores e alegrias e entender como através dessa aparente dicotomia pode nascer algo novo, inclusivo e útil para nós, para a nossa comunidade. Esse processo é desconfortável, principalmente quando passamos por isso sozinhos, mas em conjunto se torna desafiador e prazeroso!

Foto: divulgação/ Teto

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