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Bem-estar animal e justiça alimentar são focos do trabalho de uma das 100 melhores ONGs do Brasil

Saiba mais sobre a Mercy for Animals, que atua também em países como Estados Unidos, Canadá, Índia, China e México

O Brasil é um dos maiores produtores e consumidores de carne do mundo e concentra algumas das maiores áreas de pasto e de cultivo de soja para alimentação animal, responsáveis por boa parte do desmatamento da Amazônia. A Mercy for Animals quer contribuir para mudar essa realidade e para construir um mundo em que os animais sejam respeitados, protegidos e livres para perseguirem seus próprios interesses.

Presente em vários países, a organização se dedica a erradicar o atual sistema alimentar e substituí-lo por um que seja, não apenas gentil com os animais, mas essencial para o futuro do nosso planeta e para todos que o compartilham. Por seu impacto, a organização foi reconhecida pelo Prêmio Melhores ONGs de 2020 como uma das 100 melhores do Brasil. A entrevistada de hoje é Carol Destro, sua Gerente de Desenvolvimento. Boa leitura!

Qual é a história que deu origem à ONG? Um dia, um professor de biologia de uma escola rural de Ohio, nos Estados Unidos, levou porcos para serem dissecados na sala de aula. Como um dos animais ainda estava vivo, um aluno que trabalhava na fazenda do professor agarrou o porco e bateu a cabeça dele no chão. O incidente foi polêmico na comunidade, mas um juiz decidiu que a ação do estudante era legal por ser uma “prática padrão na pecuária”. Essa situação aconteceu na sala de aula de Milo Runkle, fundador da Mercy For Animals (MFA). A injustiça daquela cena pesou sobre ele e o levou a criar essa organização com a missão de proteger os animais explorados para consumo.

Fundada em 1999, a MFA conduziu suas primeiras investigações secretas em 2001, quando investigadores entraram em duas granjas de fábrica de ovos em Ohio durante várias semanas. Eles coletaram horas de vídeo, deram água às galinhas desidratadas e resgataram outras aves que sofriam naquele local. Esses resgates abertos chegaram às manchetes em todo o estado. A maior emissora de notícias de Ohio na época exibiu o filme, promovendo, como “O vídeo que a indústria do ovo não quer que você veja”. Desde então, a organização tem crescido e expandido a atuação para outras regiões do mundo, ajudando a criar um sistema alimentar mais sustentável e a acabar com as principais causas da exploração animal. Atualmente estamos nos Estados Unidos, Canadá, Índia, China, México e Brasil, onde iniciamos as atividades em 2016.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? No Brasil, a Mercy For Animals consolidou-se como uma das maiores organizações de proteção a animais explorados para consumo. Agora que estamos com uma presença mais estabelecida no país, é hora de ir além do nosso movimento para alcançar e ter o reconhecimento dos principais veículos de comunicação, celebridades e pessoas influentes como uma referência consolidada em direitos animais, bem-estar animal e justiça alimentar no Brasil.

E os planos para este ano e próximo? Investiremos nossos esforços em grandes campanhas de conscientização para esclarecer os problemas da pecuária industrial e ganhar a atenção e o apoio do público. Concentraremos nosso trabalho na construção de influência política com importantes tomadores de decisão nos níveis corporativo e legislativo, na expectativa de que nos ajudem a avançar as reformas que proporemos. Queremos continuar contribuindo para o fim do confinamento de galinhas em gaiolas de bateria no Brasil e que empresas façam progressos reais para acabar de vez com essa prática.

Conta pra gente o maior orgulho do trabalho ou uma história de voluntariado? Sempre direcionamos nossos maiores esforços para as práticas que mais causam sofrimento ao maior número de animais e, hoje, estima-se que a indústria de ovos do Brasil confine cerca de 150 milhões de galinhas. Por isso, concentramos muito do nosso trabalho atual nas campanhas corporativas que incentivam que empresas eliminem as gaiolas de suas cadeias de suprimento de ovos. Somente em 2020, a partir do trabalho da MFA, muitas vezes em colaboração com outras ONGs, conseguimos compromissos corporativos significativos de sete empresas, incluindo grandes redes de supermercados, como GPA e Rede Oba. Pelas nossas estimativas, esses compromissos impactarão cerca de 6 milhões de aves ao serem 100% implementados nas cadeias de suprimentos das redes.

Foto: MFA/ divulgação

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