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Educação, meio ambiente e melhoria da qualidade de vida da população

O que começou com uma ação ambiental hoje é uma das 100 melhores ONGs do Brasil. Conheça a história e os desafios do Instituto Verdescola

Com base nos pilares que dão título a esse texto, o Instituto Verdescola atende mais de mil beneficiários diretos em toda a região do litoral Norte de São Paulo, oferecendo reforço escolar e oficinas socioambientais, esportivas, de robótica, inglês, artes e inteligência emocional, para crianças e adolescentes de 4 a 14 anos, além de qualificação técnica profissional e educação continuada para jovens a partir dos 15 anos de idade. Tudo isso para ajudar a formar pessoas com mais autonomia para a vida, trabalho que rendeu ao Instituto, em 2020, um lugar entre as 100 melhores ONGs do Brasil. A entrevistada desta sexta-feira é a Fernanda Portieri, uma das gestoras da organização.

Qual é a história que deu origem à ONG? O Instituto Verdescola teve origem após os fundadores, proprietários de uma casa na região, perceberem que crianças estavam ficando doentes por conta do chorume de um lixão que desaguava no rio onde elas brincavam. Por isso, a primeira atuação do Instituto foi de cunho ambiental. Entretanto, após conhecerem mais sobre a realidade dessa comunidade de alta vulnerabilidade, o diagnóstico foi o de que a maior necessidade local era a criação de um espaço onde as crianças e jovens pudessem ter acesso à educação e lazer no período que não estavam na escola. O Verdescola iniciou, então, aulas de informática, sediadas na associação de moradores da região.

Desde o início, ficou claro para os fundadores que, para o propósito do Instituto ser alcançado, era necessário articular um trabalho em rede. Com o crescimento desordenado de comunidades vulneráveis se intensificando no litoral e a ausência de equipamentos públicos que suprissem a demanda local, a necessidade de uma sede própria ficou evidente. Ela foi inaugurada em 2014 e, atualmente, possui 3.500 m2 de área construída e conta com 16 salas de aula, 2 salas de informática, 1 sala de robótica, 1 laboratório de biologia e química, 1 biblioteca, 1 espaço de convivência, 1 refeitório, 2 hortas, 1 cozinha experimental, 1 estúdio de fotografia e 1 ginásio poliesportivo. Ao longo dos anos, o envolvimento nas demandas comunitárias ampliou-se de modo a tornar o Instituto, um importante ator na execução de políticas públicas da região.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? No cenário pré-pandemia, o maior desafio era o de mensurar quantitativamente as ações e resultados dos projetos. Entretanto, após tanto tempo de restrições, que ocasionou, entre outras coisas, o afastamento das crianças e adolescentes das escolas, a nossa maior dificuldade atual é melhorar a defasagem escolar dos alunos. Mas isso não nos desanima: durante a pandemia, mantivemos o atendimento aos beneficiários por meio da entrega de kit escolares impressos, aulas online, atendimento presencial individualizado e em pequeno grupos, aquisição de 100 laptops, instalação de wifi no ginásio esportivo, atendimento pedagógico individualizado aos alunos, atendimento especializado em psicopedagogia e psicoterapia. Também ampliamos o suporte emocional e apoio social às famílias dos nossos alunos e comunidades do entorno, por meio da distribuição de cestas básicas, itens de higiene e limpeza e máscaras. Além disso, estreitamos nossos laços com o poder público local para garantir o acesso dessa população a programas e benefícios sociais do governo.

E os planos para esse ano e próximo? Atualmente, com a recente retomada das aulas presenciais, temos um plano traçado junto às escolas públicas locais, onde mantivemos os atendimentos individuais para dúvidas das matérias da escola, além de apoio psicopedagógico e psicológico aos alunos. Possuímos, também, uma plataforma de acompanhamento do desempenho escolar dos alunos, cujo acesso é compartilhado em tempo real com as escolas públicas parceiras. Para o próximo ano, além de manter a proximidade com as escolas públicas da região, reforçaremos e ampliaremos a metodologia baseada em projetos no Instituto. Com isso, os alunos terão cada vez mais acesso a uma abordagem interdisciplinar e integrada dos conteúdos escolares, chegando mais preparados para as demandas do mercado de trabalho.

Conta pra gente o maior orgulho do trabalho ou uma história de voluntariado ou ação? Em 2018, um grupo de veranistas da praia da Baleia formou um time com mais de 23 médicos e residentes voluntários de diversas especialidades do Hospital Albert Einstein para realizar um Mutirão da Saúde para a população local. A iniciativa tem se repetido anualmente e, no último ano, atendeu cerca de 620 alunos, seus irmãos e pessoas da comunidade. Em paralelo, o setor de atendimento psicossocial do Instituto, composto por assistentes sociais e psicólogos, identifica e acompanha eventuais problemas de saúde e realiza os encaminhamentos à Unidade Básica de Saúde local, fomentando assim a qualidade de vida da população. Disponibilizamos também, aos alunos e seus familiares, o acesso a um médico da família por meio de um aplicativo gratuito de telemedicina.

Fotos: Divulgação/ Verdescola

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