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“Biblioteca e leitura são elementos fundamentais para o desenvolvimento”

Conheça o trabalho da SP Leituras, uma das 100 melhores ONGs do país

Reconhecida pelo terceiro ano consecutivo como uma das 100 melhores ONGs do Brasil, a SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura desenvolve projetos que contribuem para o incentivo ao direito e à promoção da cultura, leitura e literatura e administra importantes bibliotecas em São Paulo. Se os desafios nessa área já são imensos no Brasil atual presencialmente, a imposição do digital por conta da pandemia, tornou-os ainda maiores. Mas, segundo o Diretor Executivo da organização, Pierre André Ruprecht, com muito estudo e análise, o trabalho continua. Na entrevista de hoje você vai saber mais e conhecer também a história de um autor premiado que começou a escrever depois de uma oficina por lá. Boa leitura!

Qual é a história que deu origem à ONG? A SP Leituras nasceu do encontro de profissionais do segmento cultural, em especial escritores e editores, como Marino Lobello — atual presidente do Conselho de Administração —, preocupados com a questão da defesa do direito ao acesso e difusão da literatura, da leitura e das bibliotecas. A Associação foi concretizada a partir da oportunidade de gestão da Biblioteca de São Paulo, equipamento público voltado para o desenvolvimento e experimentação dos conceitos mais atuais da biblioteca pública.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? O principal desafio é difundir a ideia de que a biblioteca de qualidade e a leitura literária são elementos fundamentais para o desenvolvimento das pessoas, já que a biblioteca, por excelência, é um local de circulação de informação e conhecimento. Neste sentido, veicular essa ideia e conscientizar os gestores públicos e as comunidades do entorno das bibliotecas, são ações instigantes e permanentes.

E os planos para esse ano e próximo? Por conta da pandemia de Covid-19, a prestação de serviço da biblioteca pública, com qualidade, vem sendo um desafio constante, em especial para as populações com dificuldade de acesso remoto. Já estávamos trabalhando num processo de transição da biblioteca e da leitura para uma cultura digital, sempre que era possível, mas o contexto de pandemia trouxe isto com força. Esse tem sido um importante objeto de estudos, análises e práticas da instituição.

Conta pra gente o maior orgulho do trabalho ou uma história de voluntariado? Entre tantas histórias que valem ser contadas, escolhemos a do João Paulo Hergesel. Morador de Alumínio, pequena cidade do interior paulista, João Paulo teve o sonho de ser escritor impulsionado após participar, em 2009, da oficina de escrita criativa do Viagem Literária, um programa gerido pela SP Leituras, que realiza atividades em bibliotecas municipais do Estado de São Paulo, levando escritores e profissionais da leitura/literatura para o contato direto com os públicos locais. Assíduo do programa, João Paulo ainda participou de outras edições, em módulos de encontros com escritores e contação de histórias, nos anos de 2010, 2011, 2013 e 2014. Relata ele: “Uma autora que me ajudou muito […] e cujo nome não posso descartar foi a Adriana Lisboa. Quando a conheci, em uma oficina de escrita criativa promovida pelo programa Viagem Literária, comentei com ela sobre a minha vontade de ser escritor e que já havia rabiscado algumas coisas. Ela me pediu para ler algo meu e enviei a trama. Muito atenciosa, ela disse ter gostado do que havia lido e me recomendou um livro do Ítalo Calvino – Seis propostas para o próximo milênio – que, como ela mesma disse, ‘é uma aula de literatura’. Posteriormente, tive contato com o livro na faculdade e posso garantir que me ajudou muito na hora da escrita, pois me fez repensar, principalmente, os critérios de leveza, rapidez, exatidão, visibilidade.” Hoje, João Paulo é um escritor de destaque da literatura infantojuvenil brasileira, pesquisador de pós-doutorado, doutor e mestre em Comunicação e Cultura, e graduado em Letras. Tem diversos prêmios literários, dentre eles o 14º Barco a Vapor com a obra A Vaca Presepeira. E, em 2020, o Programa Viagem Literária foi finalista do Prêmio Jabuti, em 2020, na categoria “Incentivo à Leitura”.

Imagem: divulgação/ SP Leituras

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