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Conheça as histórias de um hospital que é a extensão do lar dos pacientes

Fundação Cristiano Varella dá exemplo de como a humanização pode fazer a diferença no tratamento de câncer e é uma das 100 melhores ONGs do país

Maior complexo oncológico de Minas Gerais e um dos maiores da América Latina, a Fundação Cristiano Varella tem a missão de combater o câncer valorizando a vida. Por esse trabalho, foi reconhecida, em 2020, como uma das 100 melhores ONGs do Brasil. O alcance é imenso: eles atendem a mais de 158 municípios, beneficiando cerca de 2,3 milhões de pessoas. São mais de 600 mil atendimentos por ano e pelo menos mil colaboradores em prol de uma causa. Os desafios e as conquistas, claro, também são enormes. Conversamos com o Supervisor de Marketing da instituição, Bruno Lopes da Silva Medeiros sobre o trabalho. São tantas histórias, que na última pergunta ele não conseguiu escolher só uma. Boa leitura!

Qual é a história que deu origem à ONG? “Se eu fosse um anjo eu só iria fazer o bem para as pessoas. Eu iria andar a cavalo nas nuvens. Como eu gostaria de ser um anjo”. Essas palavras foram escritas por Cristiano Ferreira Varella em seu caderninho escolar do ano de 1982, quando tinha apenas 10 anos de idade. Mal sabia ele que seus punhos escreviam sobre o futuro, quando de fato se tornaria um anjo a cuidar de todos aqueles que precisam de força, esperança e, acima de tudo, tratamento humanizado contra o câncer. A jornada de vida de Cristiano foi curta, tendo se encerrado repentinamente de um acidente automobilístico no ano de 1994. Mas, mesmo tão jovem, Cristiano encontrou nos seus 22 anos tempo suficiente para marcar sua família e a todos que com ele conviveram, deixando uma lacuna impossível de ser preenchida.

Lael Vieira Varella, na época político e empresário, foi submetido ao pior pesadelo de um pai, se vendo diante de um abismo de dor e saudade. Mas tirando forças do sofrimento, e amparado pelo eterno amor por seu filho, Lael decidiu criar uma instituição beneficente através dos direitos de herança e aquisições pessoais de Cristiano. Nasceu então, em 1995, o conceito Fundação Cristiano Varella. Foram oito anos de muito trabalho até que, em 2003, o Hospital do Câncer de Muriaé abriu as portas e começou sua jornada no tratamento e prevenção do câncer. Mas a instituição não trabalha apenas com a saúde, e atua em outras duas vertentes: na comunicação, com estúdios de rádio e TV, através da Rede Atividade, e na cultura, através do Memorial, que além de exibir fixas e temporários, cuida de um acervo próprio de gravuras e da memória institucional da Fundação Cristiano Varella.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? E os planos para esse ano e próximo? Os desafios para a gestão da instituição foram identificados em um amplo estudo de cenários no exercício de revisão do planejamento estratégico da instituição, que inicia novo ciclo, 2021-2023. Considerando todos os pontos identificados e de consenso, estabelecemos alguns objetivos estratégicos, que representam os desafios para a gestão da instituição nesse período:
– Desenvolver os colaboradores e corpo clínico nas habilidades de gestão e performance operacional;
– Desenvolver a comunicação e a integração dos colaboradores;
– Rever os processos com base no modelo de microssistemas clínicos;
– Fortalecer a marca em assistência, ensino e pesquisa;
– Diversificar negócios e serviços assistenciais, de ensino e pesquisa;
– Expandir área de atuação em oncologia com abertura de novas unidades;
– Alavancar a captação de recursos;
– Manter a sustentabilidade financeira.

Conta pra gente o maior orgulho do trabalho? Acreditamos que o diferencial que nos enche de orgulho é o foco na humanização, tornando o Hospital uma extensão do lar de cada paciente. São diversas as histórias que vivenciamos dia a dia, mas selecionamos algumas que realmente valem a pena ser contadas.

Vitor Hugo, 6 anos de idade, já venceu muitas batalhas na luta contra uma neoplasia no sistema nervoso central. Como parte do tratamento, ele passou por 28 sessões de radioterapia, durante as quais ele deveria ficar imóvel por necessidade no procedimento. Para um adulto, ficar imóvel pode não parecer muito complicado, mas para uma criança de seis anos, não é uma tarefa fácil. Nesses casos, o anestesista fica à disposição para sedar o paciente de forma que o tratamento possa ocorrer sem problemas. Com Vitor Hugo, a sedação ocorreu nas três primeiras sessões e para a surpresa de todos, as outras vinte e cinco sessões, Vitor Hugo ficou imóvel. “Vitor Hugo cativou a todos! No primeiro dia de tratamento, ele veio todo fantasiado de Homem Aranha, daí surgiu a ideia da máscara de Homem Aranha”. A máscara de termoplástico, aos poucos foi se transformando na máscara do Homem Aranha cada sessão, a máscara ganhava uma parte pintada e, ao final, Vitor Hugo finalmente pôde levá-la para casa.

Vitor Hugo

Luiz Sérgio, quando tinha apenas 4 anos de idade, foi mais que um super-herói na luta contra um tumor no sistema nervoso central. Para um menino tão brincalhão quanto o Luiz, não era uma tarefa fácil ficar sem se mover durante as sessões de radioterapia. Porém, ele surpreendeu a todos e foi a primeira criança, nessa faixa etária a fazer todo o tratamento radioterápico sem anestesia. No primeiro dia em que ele veio fazer a tomografia de planejamento para iniciar o tratamento, o médico teve a ideia de imprimir imagens de super-heróis para tentar acalmá-lo. Depois, começaram a pintar o rostinho e ele se transformou no Capitão América, no Hulk e em diversos outros heróis. Empolgado, ele não se importava mais em vir ao Hospital e ficar imóvel durante aqueles 10 longos minutos, pois acreditava que o equipamento de Radioterapia era uma “imensa máquina de pintar e que em cada sessão ia moldando sua máscara, o fazendo tornar o grande homem de ferro”. No dia 15 de abril 2015, dia de sua última sessão, a tão esperada máscara ficou pronta e ele finalmente pode levá-la para casa.

Luiz Sérgio

Missão dada é missão cumprida aqui no Hospital do Câncer de Muriaé. Nossa paciente Kerolaine tem o sonho de seguir a profissão no ramo da Barbearia e, atendendo ao pedido, durante o período de internação, acionamos um profissional que voluntariamente a orientou. Sob acompanhamento do cabeleireiro conseguimos atender mais um desejo e ela realizar seu primeiro corte.

Kerolaine

Túlio, mais um de nossos guerreiros aqui do Hospital do Câncer de Muriaé, ao receber o boneco do Projeto DODOI, contou para a equipe seu grande sonho de conhecer a turma da Mônica. Houve movimentação através da rede social, buscando e em mais uma de nossas ações de humanização realizar o seu desejo. Eles não puderam vir visitá-lo, mas, juntamente com o Mauricio de Souza, mandaram uma mensagem para o Túlio e todas as nossas crianças.

Túlio

Essa é nossa debutante Anna Carolina. Mesmo durante pandemia, não poderíamos passar a data. Com toda segurança, respeitando todos protocolos, conseguimos realizar mais um momento único, a sua festa de 15 anos. Atendendo ao seu único pedido de presente, ela foi surpreendida com muito amor e carinho.

Anna Carolina

Fotos: divulgação/ FCV

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