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“O que começou com um sonho, hoje é uma instituição reconhecida e premiada”

Uma das 100 melhores, Casa da Criança fortalece programas e planeja expandir serviços

“Que todas as crianças e adolescentes tenham relações saudáveis, possibilitando que seus laços afetivos e familiares sejam restaurados e fortalecidos, tornando-os empreendedores do bem.” Esse é o norte do trabalho da Casa da Criança, em Valinhos, no interior de São Paulo. Atuando há quase 30 anos na região, a ONG foi reconhecida, em 2020, como uma das 100 melhores instituições do terceiro setor do Brasil. Conversamos com uma de suas coordenadoras, a Adriana Simões, sobre a história e os desafios desse trabalho, que já mudou a vida de milhares de crianças e adolescentes por meio das suas ações e programas.

Qual é a história que deu origem à ONG?
UM SONHO – O que começou com um sonho, hoje é uma instituição reconhecida e premiada nacionalmente por sua gestão e por ser a realidade e o futuro para mais de 250 crianças e adolescentes assistidos. Idealizada desde 1979, por uma das pessoas mais respeitadas de Valinhos, Anélio Zanuchi, a ONG começou com uma atuação voluntária dele para apoiar pessoas que se encontravam em vulnerabilidade social. No decorrer dos anos, o trabalho com a família e amigos cresceu e mobilizou muitas pessoas da cidade, contagiadas pelo amor e pelos resultados positivos alcançados na vida de quem mais precisava. Nos anos 80, muitos já conheciam a atividade de apoio às pessoas carentes da região e jovens em situação de risco social, que poderiam encontrar um acolhimento emergencial com o grupo que trabalhava em um galpão organizado, porém atuando ainda de forma provisória.
UM LUGAR – Já com demandas crescentes e com o projeto admirado por muitos, em 1991, o Grupo Gente Novo Rumo faz a doação de uma casa na Rua Campos Salles, no Jardim América II, local onde a Casa da Criança segue atuando até hoje. Porém, somente em 1993, a instituição com o nome Casa da Criança e do Adolescente de Valinhos – Grupo Gente Novo Rumo foi fundada oficialmente e, em 1994, reconhecida como sociedade civil, composta por diretoria voluntária. Entre 1997 e 2003, a entidade que acolhia até então essencialmente meninos, identificou a necessidade de adaptações, melhorias das instalações, estruturação do quadro de profissionais e alterações estatutárias para ampliar a atuação, incluindo assim o acolhimento de meninas de até18 anos. Com a crescente demanda, a instituição adota um trabalho preventivo às situações de risco social. Em 2006, foi criado o projeto “Janela Aberta”, um ponto de cultura e hoje também um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos. Com foco na proteção social e valorização da cidadania, oferecemos atividades culturais, esportivas, educativas e sociais, como: inglês, capoeira, teatro, dança, informática e artes.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? Os desafios enfrentados diariamente são diversos. Para garantir a qualidade e a transparência dos trabalhos desenvolvidos temos como foco dirimir questões emergenciais de gestão, como as que ficam em torno do universo do capital humano e da comunicação assertiva. Acreditamos que, buscando excelência nestes quesitos, teremos mais oportunidades de solucionar situações ou problemas que possam vir a surgir.

E os planos para esse ano e próximo? Para este ano, o foco está em seguir cuidando da saúde dos nossos assistidos, famílias e colaboradores. Devido a pandemia vamos manter os cuidados intensificados em todas as atividades, nos três programas desenvolvidos. Para o próximo ano, devemos dar continuidade ao projeto da construção do prédio do nosso quarto programa: a República José Vicente de Camargo. O serviço prevê oficinas profissionalizantes, residência inclusiva, com moradia subsidiada a jovens em situação de vulnerabilidade e risco pessoal, que após os 18 anos não podem permanecer na instituição e não conseguem se auto- manter.

Conta pra gente o maior orgulho do trabalho ou uma história de voluntariado? Em janeiro de 2021, realizamos, online e de forma anônima, uma pesquisa de clima organizacional e satisfação dos colaboradores, com participação de 95% do nosso quadro. Os dados coletados apontam índice de satisfação de 83%. Isso nos mostra que quem trabalha aqui tem orgulho e satisfação em fazer parte de uma Instituição que atua no processo de transformação de vidas, no exercício da cidadania, com reconhecimento por estar entre uma das 100 melhores ONGs do Brasil. Veja o depoimento da Cleusa Bruschi, que atua como voluntária da Casa da Criança há 26 anos: “Comecei a atuar na instituição no início da fundação e logo toda a minha família estava envolvida também. A minha surpresa foi que, além dos trabalhos imensamente gratificantes, tivemos a alegria de conhecer pessoas maravilhosas, com valores, ideais e propósitos semelhantes aos nossos. Aqui na Casa da Criança fizemos mais que amigos, sentimos que formamos uma grande e verdadeira família. Passamos juntos muitos momentos importantes na instituição como: noites de Natal, aniversários e eventos solidários. Eu pude contar com eles em momentos difíceis também. Aqui fiz amigos para a vida inteira, e isso não tem preço”. Neste período de pandemia, a voluntária contou também que ficou afastada dos trabalhos. Em novembro do ano passado, teve diagnóstico de Covid-19 e esteve em recuperação por meses. Cleusa recebeu o apoio de dezenas de amigos e agora poderá realizar o seu maior desejo – voltar ao voluntariado, seguindo todos os protocolos de saúde.

Foto: voluntária Cleusa Bruschi e amigos

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