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ONG ajuda a mudar a história de crianças e adolescentes de rua em São Paulo

Associação Beneficente Santa Fé foi reconhecida pela segunda vez como uma das 100 melhores organizações do Brasil

Em 2020, a Associação Beneficente Santa Fé foi reconhecida pelo Prêmio Melhores ONGs do Brasil pelo segundo ano consecutivo, ficando entre as 100 organizações destacadas. Desde 1993, a organização cuida de crianças e adolescentes que enfrentam situações pessoais ou sociais de risco. Os desafios nessa área de atuação são imensos, mas os 50 colaboradores do Santa Fé não se deixam desanimar por isso. A entrevistada do nosso blog hoje é a analista de negócios da ONG, Gabriela Paulin. Ela nos contou um pouco da história e das motivações do trabalho, que já atendeu milhares na capital paulista.

Qual é a história que deu origem à ONG? Em 13 de agosto de 1993 a Santa Fé inaugurou seu trabalho com uma ação pontual denominada Árvore de Natal. Nos 23 dias que se seguiram, crianças e adolescentes que viviam na Praça da Sé, região central de São Paulo, foram convidados a participar de diversas atividades lúdicas. Eram, em média, 230 participantes por dia. Essa ação resultou em uma expressiva redução dos índices de roubos e furtos no Centro da cidade, região de maior concentração de crianças e adolescentes de rua. No entanto, o mais impressionante nesta ação foi a significativa resposta dos participantes, observada na qualidade dos trabalhos e espetáculos produzidos e no forte desejo que demonstravam em construir novas perspectivas de vida. Em fevereiro de 1994, desenvolvemos, na Praça da Sé, o projeto Escola Ambulante, que tinha o objetivo de compreender a realidade das crianças e adolescentes que viviam ou transitavam nas ruas e, assim, saber como intervir de forma eficaz para que elas voltassem para casa de maneira harmoniosa e sustentável. Este projeto permitiu o início da expertise no trabalho desenvolvido hoje pela Santa Fé. A metodologia da Escola Ambulante foi vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, em 2005, pela Fundação Banco do Brasil, Petrobrás e UNESCO. Ao final do projeto, as crianças e adolescentes queriam continuar com a equipe. Diante deste impasse e com a firme decisão de manter os vínculos estabelecidos com os participantes, a Santa Fé conseguiu um terreno na região do Ibirapuera para acolher crianças e adolescentes. Nascia ali a verdadeira vocação da Santa Fé.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? Segundo a ONG Visão Mundial 2019, só na capital paulista temos 1.800 crianças em situação de rua. Esse número cresceu 31 % nos últimos 4 anos, de acordo com dados de 2020 da Prefeitura de São Paulo. Esse é o maior desafio de gestão da Santa Fé: o aumento de crianças e adolescentes nas ruas de São Paulo em vista da ausência de políticas públicas para lidar com essa realidade.

E os planos para esse ano e próximo? Para 2021, o nosso plano é fortalecer a captação de recursos para o Projeto Escola Ambulante, cujo retorno nesse momento se faz mais do que urgente e cujo objetivo é compreender a realidade das crianças e adolescentes que vivem ou transitam nas ruas da cidade de São Paulo, especialmente na região central, para intervir de forma sistêmica e eficaz, tecendo redes e construindo pontes para garantir o seu desenvolvimento pleno promovendo a volta para casa, de maneira harmoniosa e sustentável. Para 2022, nosso planejamento é dar continuidade aos programas e projetos já desenvolvidos pela Santa Fé e retomar o Projeto Escola Ambulante nas ruas de São Paulo.

Qual é o maior orgulho do trabalho de vocês? Nosso maior orgulho é saber que as centenas de crianças, adolescentes e famílias que atendemos conseguem romper o ciclo da violência e da pobreza com acesso à educação e ao trabalho, podendo se libertar e transformar suas vidas e a de suas famílias.

Foto: divulgação

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