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“Nosso plano é recuperar 2 anos em 1”

ABCD Nossa Casa, uma das 100 melhores ONGs do Brasil, conta sobre desafios e motivações para o trabalho

Amparar, proteger e educar crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. São essas as bases do trabalho da Associação Beneficente à Criança Desamparada “Nossa Casa” (ABCD Nossa Casa) que, há mais de 20 anos, ajuda a garantir um futuro melhor para quem passa por lá. Em 2020, a organização foi reconhecida como uma das 100 melhores instituições do terceiro setor do Brasil, atingindo um de seus objetivos que é o de ser referência em sua área de atuação. Sua presidente, Solange Palma Torelli, conversou com o nosso blog sobre o trabalho que a ONG desenvolve. Ela, que também é uma das fundadoras da ABCD, contou que toda a história começou com alguns princípios da sua própria infância.

Qual é a história que deu origem à ONG? A história da ABCD nasceu de princípios herdados na minha infância: amor ao próximo, me colocar no lugar do outro, educação, respeito à dignidade humana e a vida. Cresci e percebi a importância deles e de mudar a vida dos menos favorecidos, por meio de semear sonhos para transformar o amanhã. Ainda era o século passado, no ano de 1965, quando eu trabalhava com a minha avó, que fazia um trabalho assistencial costurando enxovais para gestantes. Meu pai também trabalhava com educação e eu estudei em uma de suas escolas, onde ele fornecia bolsas de estudos aos menos favorecidos. Conheci a vida desses bolsistas e um pouco sobre as lutas que enfrentavam. Vi que muitos desistiam por problemas familiares, desemprego, drogas e, principalmente, pela falta de oportunidade para sonhar.

Me formei advogada e continuei vendo crianças e jovens abandonados, explorados sexualmente, trabalho infantil e famílias destruídas, que acabacm abandonando seus filhos. Era necessário mais: lutar pela educação, lutar pela dignidade humana e pela vida. Com o apoio do meu marido e filhos, chegamos à conclusão que precisávamos fazer alguma coisa para melhorar a realidade que víamos. Saí a procura de meios, de conhecimentos e foi no Estatuto da Criança e do Adolescentes (ECA) que reencontrei os princípios de minha infância. Iniciamos então um trabalho com o propósito de mudar vidas por meio da Educação, Cultura, Esporte e Ação Social.

Nossos projetos desenvolvem a comunicação, expressão, o raciocínio lógico a inclusão digital, gerando oportunidades para as nossas 350 crianças e adolescentes, 252 famílias e familiares, trazendo luz àqueles que estão na escuridão. Quantos de vocês não tem uma história igual à minha? O passado já foi, mas no presente estamos realizando e, no futuro, muitos poderão ter as vidas transformadas.


Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? Nosso maior desafio é ser sustentável, pois temos um compromisso mensal com 350 crianças com as quais a ABCD não pode faltar. Vem daí a importância de entendermos qual o custo do nosso compromisso e quais são as nossas fontes de recursos e planos alternativos, caso alguma delas falhe. É um desafio, mas, quando pensamos em crianças e adolescentes fica mais fácil atingir nosso propósito.

Nosso plano é recuperar 2 anos em 1, tendo em vista que as atividades eram totalmente presenciais antes da pandemia. A maioria das crianças e adolescentes, que já viviam em extrema vulnerabilidade social, não tem acesso à tecnologia e é também por isso que um de nossos focos é a inclusão digital.


Conta pra gente o maior orgulho do trabalho ou uma história de voluntariado ou ação que vale a pena? Nesses 21 anos temos diversas histórias que nos orgulham muito. Um exemplo é a da nossa orientadora socioeducativa que nos dá força para continuar semeando sonhos para transformar o amanhã:

“Meu nome é Rosa e, atualmente, trabalho como educadora na ABCD Nossa Casa. Porém, minha história com a organização começou no ano de 2000, há mais de 20 anos. Eu estava desempregada, prestes a ser despejada por não ter dinheiro para pagar aluguel, passando fome, e sem ter a quem recorrer e com duas crianças pequenas, meus filhos Pedro César (2) e Janaina (3). Decidi procurar o Conselho Tutelar para pedir ajuda pois, mesmo passando por dificuldades, uma certeza eu tinha: não queria abandonar meus filhos. Fiz questão de deixar muito claro para o assistente social, que ficou comovido e decidiu me ajudar. Meus filhos foram as primeiras crianças a chegarem na ABCD Nossa Casa. O assistente social me garantiu que essa instituição daria todo o suporte que eu precisava. Se fosse escrever a importância que esse lugar tem na minha vida e na vida dos meus filhos, seria necessário um livro”.

Foto: divulgação

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