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“É uma conquista que reflete a dedicação incansável de milhares de voluntários”

Conheça o trabalho da Amigos do Bem, Melhor ONG de 2020, e saiba como o Prêmio repercutiu por lá.

Reconhecida como a Melhor ONG de 2020 pelo Prêmio Melhores ONGs, a Amigos do Bem promove o desenvolvimento social sustentável do sertão nordestino, com educação, geração de renda, combate à fome, e acesso à água, moradia e saúde. Quer saber como eles conseguiram levar o maior destaque da premiação? O Alceu Caldeira, gerente institucional da organização, respondeu às nossas perguntas.

Como foi a repercussão de ganhar? O prêmio foi amplamente divulgado pela mídia, trouxe mais visibilidade e ainda mais credibilidade para os Amigos do Bem. É muito gratificante, depois de uma trajetória de 27 anos de trabalho e transformação no sertão, ver nossa instituição reconhecida como a Melhor ONG do Brasil de 2020.

Como foi a comemoração internamente? Nossa presidente estava no aeroporto indo para o sertão quando recebeu a notícia sobre o prêmio. Logo, ela gravou um vídeo para todos os Amigos do Bem, as pessoas que nos apoiam e caminham ao nosso lado, contando a novidade. Depois de um ano tão difícil, com tantos desafios, esse prêmio representou uma grande vitória para nossa Instituição. É uma conquista que reflete a dedicação incansável de milhares de voluntários e o apoio de muitos colaboradores. Comemoramos da melhor forma, trabalhando no sertão.

A premiação ajudou a captar recursos, voluntários, parcerias, reconhecimento da comunidade? A premiação aumentou a visibilidade dos Amigos do Bem e, com isso, o interesse da comunidade e da mídia.

Quais são os planos para 2021? Vão se inscrever outra vez? Sim, iremos nos inscrever novamente. É uma honra participar do Prêmio Melhores ONGs, essa iniciativa tão importante para o terceiro setor brasileiro.

Como a pandemia tem afetado o trabalho de vocês? A pandemia trouxe grandes desafios, mas com esforço, determinação e a colaboração de muitos amigos, temos conseguido superá-los. Tivemos que repensar grande parte das nossas ações para continuar atendendo as famílias do sertão. A situação de fome e miséria, que já era grande, se agravou ainda mais durante a pandemia e o cenário tem piorado em 2021.

No ano passado, criamos um Plano Emergencial, impactando diretamente 1 milhão de pessoas. Distribuímos alimentos não perecíveis e proteínas para aumentar a imunidade da população. Levamos kits de saúde e apoiamos hospitais locais com equipamentos e insumos médicos, desta forma ampliamos a capacidade de atendimento para toda a comunidade, além dos povoados que atendemos com regularidade. Nossas equipes pedagógicas entregaram materiais de letramento e interpretação nas casas de todas as crianças que, por conta da interrupção das aulas presenciais, não estavam na escola. A maioria das crianças no sertão não têm acesso à internet. Elas não podem acompanhar aulas on-line, como vemos com muitos alunos de São Paulo. Tivemos que criar alternativas para que elas continuassem estudando. Nossas arrecadações de alimentos nos supermercados, tão importantes para montar as cestas básicas que a população recebe todos os meses, também foram suspensas. Tivemos que buscar formas alternativas de trazer recursos para a instituição. Contamos, ainda, com a força do voluntariado do sertão. As equipes de voluntários locais têm crescido muito nos últimos anos, mostrando que o bem se ensina e se multiplica.

Neste ano, para minorar o impacto da pandemia na educação, antecipamos o retorno às aulas nos nossos Centros de Transformação com cuidado e segurança. Nossas equipes de educadores receberam os alunos com carinho, realizaram sondagens e elaboraram planos de alfabetização e letramento personalizados, pensados de acordo com a realidade de cada estudante. Estamos envolvendo pais, alunos e professores para estimular o aprendizado das crianças. Precisamos nos adaptar às situações. Para isso, temos trabalhado muito.

Que conselho vocês dariam para as organizações que concorreram e não ganharam? Existem inúmeras instituições em nosso país que fazem trabalhos sérios e de grande credibilidade. Todas elas são fundamentais. Ganhar o prêmio é gratificante, mas o importante é persistir em nosso propósito de trabalhar para tornar o nosso país mais igualitário, com oportunidade para todos.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? O principal desafio dos Amigos do Bem é a logística para atendimento de mais de 15 mil famílias, todos os meses, no sertão nordestino. Nossa Central do Bem – a sede da instituição – fica localizada na cidade de São Paulo, onde recebemos toneladas de doações todos os meses. Na Central, as doações são triadas, organizadas e enviadas ao sertão nordestino, para abastecer populações de mais de 140 povoados. Durante a pandemia, mesmo sem a presença de muitos de nossos voluntários, que não podiam mais viajar, estivemos presentes em 300 povoados do sertão – a maioria distante muitos quilômetros dos centros urbanos mais próximos. Buscamos sempre aprimorar as soluções de logística, de tecnologia da informação e de infraestrutura para atendermos com qualidade todas as pessoas que contam com os Amigos do Bem.

E o maior orgulho? Olhar para o trabalho que temos construído nesses 27 anos de história e para todas as vidas transformadas é nosso maior orgulho. Implementamos um modelo de desenvolvimento social sustentável em locais que possuem os menores IDHs do país por meio de projetos de educação e geração de renda. Atendemos regularmente 75 mil pessoas. Mais de 10 mil crianças e jovens estudam em nossas escolas e Centros de Transformação todos os anos. Criamos 1.100 postos de trabalho no sertão. Além disso, levamos água, moradias e atendimentos médicos e odontológicos para famílias de vilarejos isolados. Quando acompanhamos a trajetória das famílias atendidas pelos nossos projetos, sentimos que tudo valeu a pena. Muitas delas viviam em casas de taipa, sofriam com a seca e com a falta de comida e trabalho. Hoje, vivem em casas de alvenaria, os pais trabalham em nossas fábricas e as crianças estudam nos Centros de Transformação. São novas histórias sendo escritas todos os dias!

Tem uma história de voluntariado ou ação que vale a pena contar? Todos os 10.300 voluntários dos Amigos do Bem têm uma história de amor e dedicação ao próximo. É emocionante ver o comprometimento das equipes voluntárias que dedicam horas e horas para fazer o bem. São grupos que limpam e consertam bonecas, carrinhos e jogos que irão para o sertão; montam as cestas básicas; fazem as distribuições de alimentos; separam as doações…Tem ainda os dentistas, médicos, psicólogos, professores, advogados, profissionais de TI, etc. É um grande exército do bem, sempre disposto a ajudar!

Como dissemos, esse exemplo se espalhou pelo sertão e, graças aos voluntários locais, pudemos manter nossas ações durante a pandemia, principalmente quando tudo estava fechado e nossas equipes de São Paulo não podiam viajar. Vimos muitos jovens, antigos alunos dos Centros de Transformação, que se voluntariaram para cooperar não apenas com seus povoados, mas com muitos outros nas ações de distribuição de alimentos. Recentemente, mais de 1.400 voluntários locais participaram da colheita de caju. Graças ao aumento da força de trabalho na colheita, mais matéria-prima chegou às fábricas de beneficiamento de castanha, gerando novas oportunidades de emprego para a população local. É um ciclo virtuoso de cooperação criando um modelo social sustentável.

Foto: divulgação/Amigos do Bem

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