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Dicas para estar entre as 100 melhores ONGs do país

Inscrições estão abertas até o dia 12 de abril. Saiba quais são os diferenciais que podem fazer a sua organização se destacar neste ano.

O Prêmio Melhores ONGs chega à sua quinta edição e, ao longo dos anos, alcançou grande visibilidade e continua crescendo, na medida em que se consolida como a principal referência no reconhecimento às organizações filantrópicas no país. A ideia, além de ser um farol para orientar doações, é incentivar boas práticas em quesitos como governança, transparência, comunicação e financiamento, contribuindo também para a melhoria na gestão de todas as participantes.

As inscrições para a edição 2021 estão abertas até o dia 12 de abril. Vai se inscrever e quer saber no que investir mais tempo para ter mais chances de estar entre as 100 melhores? Essa entrevista com o Fernando Nogueira vai te ajudar. Ele é pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e, desde a primeira edição, coordena a comissão avaliadora do prêmio.

Todos os critérios são importantes, mas o que é considerado pela comissão julgadora um diferencial entre as ONGs que se inscrevem? Não há um grande desnível de peso entre os critérios, os cinco são levados em conta. Mas o primeiro diferencial é a consistência: não adianta muito se destacar só em um critério e ir mal nos outros, isso tende a não ser suficiente para ficar entre as 100 melhores. O segundo é a sistematização das práticas. Um sinalizador importante para alguém que queira investir naquela ONG é que ela saiba muito claramente qual é a sua missão, o que é que ela faz bem, porque é que ela faz bem. Isso se traduz em indicadores claros, dados e documentos de boa qualidade, bem preenchidos, que é o que a gente avalia.

Onde todo mundo vai bem? E onde a maioria das organizações vai mal? Não dá para dizer que todo mundo vai bem em algum critério. Mas as categorias onde houve menor variação nas notas foram duas: comunicação e gestão. Ainda precisamos fazer mais análises para dizer se essa diferença é menor porque todo mundo vai muito bem ou porque todo mundo não vai muito bem. O que já podemos dizer é que esses indicadores não têm sido grandes separadores entre as que ficam entre as 100 melhores e as que não.

Já o que mais tem destacado as melhores são duas áreas: causa e estratégia; e captação e sustentabilidade. A primeira tem muito a ver com o que respondi na pergunta anterior, saber comunicar bem o que faz, com indicadores claros e uma boa rede de parceiros em torno daquela causa. Na segunda, se destaca quem tem uma base diversa de apoiadores, boas estratégias e bom plano de captação. Os documentos também tendem a fazer muita diferença. Sai na frente quem envia todos os documentos e bem feitos. Lembrando que o que avaliamos não é se o arquivo é bonito, feito por uma consultoria e plasticamente perfeito, queremos saber se é um documento que mostra a realidade daquela organização e, minimamente, sistematiza práticas, planos, metas e atividades.

Desde quando vocês enviam a devolutiva? Por que esse processo é importante para fortalecer todo mundo que participa? Esse vai ser o segundo ano que enviamos devolutiva — começamos no ano passado, em relação aos dados de 2019. Tivemos um bom retorno, de que esse tem sido um processo importante para o fortalecimento institucional, autoavaliação e também para entender o que cada uma pode e precisa melhorar, dentro dos critérios exigidos.

Com a devolutiva, as ONGs também podem ter como referência, não só todas as que se inscreveram, mas, em especial, as que se qualificaram entre as 100 melhores. Assim, conseguem ver, por exemplo, que práticas a maioria de quem está entre as 100 melhores faz, para entender o que poderia priorizar para começar a se desenvolver.

O que você diria que uma ONG precisa ter para estar entre as 100? Essa é uma resposta difícil, pois a régua está subindo ano a ano, então vai ficando mais desafiador entrar e se manter entre as 100. Mas ter uma gestão forte, bem sistematizada e transparente é um diferencial e tanto.

E pra conseguir ser a melhor nas categorias especiais? Nesse caso, é o comparativo entre as que ficaram entre as 100 naquele ano, por área. Aí é uma comparação um pouco mais simples, de nota. A gente não solta um ranking porque, entre as 100, muitas organizações ficam bem próximas, mas claro que as que tendem a ser premiadas estão concentradas entre as melhores de todas.

Quais são as principais expectativas para essa edição? Nosso desejo é conseguir ainda mais ONGs participando e continuar nessa tendência de subir a régua. Também queremos aprimorar cada vez mais a nossa gestão dos dados, seja para análise, questões de privacidade, confidencialidade e respeito. E, finalmente, sendo um ano tão difícil, depois de um ano já muito difícil, mostrar duas coisas: a importância das organizações da sociedade civil no país e a resiliência do setor, mesmo nesses momentos de crise, quando elas se tornam ainda mais importantes.

Foto: Pixabay

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