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“Vencer é uma consequência de um trabalho bem feito e organizado”, afirma diretor dos Bombeiros Voluntários de Joinville

Mais antiga instituição de voluntários do país, organização foi menção honrosa na edição 2020 e é uma das 100 Melhores ONGs do país.

Por sua resposta a desastres, a Associação Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, a mais antiga organização do gênero no Brasil, é uma das 100 melhores e levou a menção honrosa na edição 2020 do Prêmio Melhores ONGs. A corporação tem 1.700 integrantes, a maioria voluntários — somente 10% são remunerados — e presta um importante serviço para a região desde 1892.

Conversamos com o seu diretor executivo, Matheus Cadorin sobre os planos para este ano e sobre como o Prêmio ajudou a corporação. Confira abaixo!

Como foi a repercussão de ganhar o prêmio? Foi excelente! Já temos uma grande admiração da comunidade pela nossa atividade fim, sempre realizada com eficiência. Porém, sermos reconhecidos pela gestão foi uma consagração do esforço de anos de dedicação para tornar a instituição modelo em todas as frentes. Ter a gestão reconhecida significa ainda mais confiança do contribuinte em nos apoiar financeiramente.

Como foi a comemoração interna? Foi emocionante. Foi a primeira vez que nos inscrevemos e já recebemos uma menção honrosa. As mídias repercutiram muito a premiação e os colaboradores exibiram com orgulho o novo “troféu”. A instituição é centenária e nosso papel aqui é deixar para as próximas gerações um legado de conquistas e credibilidade, pois as vitórias dos nossos antecessores são a bússola de ações futuras, e em uma constante evolução.

A premiação ajudou a captar recursos, voluntários, parcerias e reconhecimento da comunidade? Sim. Desde a premiação já começamos novas parcerias e iniciativas. Dentre elas, um projeto de mídia social, com o objetivo de fazer o “match” de ações sociais e pessoas dispostas a ajudar. Outra grande parceria é a compra de nossa operação de cartão de crédito pela Mastercard, que será lançada ainda no primeiro semestre de 2021, possibilitando a todos contribuírem com a corporação usando o cartão no seu dia a dia.

Quais são os planos para 2021? Já nos inscrevemos outra vez. De novidades, além do cartão de crédito, temos um seriado sobre a vida dos nossos heróis, os bombeiros voluntários. Durante o dia eles são advogados, mecânicos, engenheiras, artistas, professores e donas de casa. À noite se transformam nos guardiões da cidade. O piloto está sendo gravado. Também iremos realizar mais uma edição da corrida de rua (esperamos dois mil atletas) e iniciaremos a reforma do Museu Nacional dos Bombeiros Voluntários, transformando nossa sede central/prédio histórico em um ponto turístico do roteiro oficial da cidade. Ao contar nossa história aos visitantes, esperamos sensibilizá-los da importância do serviço prestado e sugerir contribuições ou compra dos artigos de nossa grife, a Heroyz.

Como a pandemia tem afetado o trabalho de vocês? Nossa maior fonte de receitas são as contribuições mensais na conta de energia elétrica. Tivemos um altíssimo índice de cancelamentos por conta dos problemas econômicos trazidos pela pandemia. Mas nossas equipes de telemarketing conseguiram equilibrar as perdas e agora já voltamos a crescer no valor recorrente. Outro problema foi o cancelamento de eventos que também trazem recursos importantes e que esperamos recuperar esse ano. Ademais, no operacional nada foi afetado. Nos adaptamos para proteger todos os colaboradores e tivemos raríssimos casos de infecção em nosso universo de 1.700 pessoas.

Que conselho vocês dariam para as organizações que concorreram e não ganharam? O fato de não ganhar deve ser um estímulo para prestarem um serviço ainda melhor nesta nova edição. Os pontos solicitados são de extrema importância para uma gestão eficiente de qualquer tipo de instituição. Portanto, devem ser seguidos com o objetivo de melhorar a performance e o atendimento à comunidade. Vencer é uma consequência de um trabalho bem feito e organizado, conforme padrões de gestão empresarial rigorosos.

Qual é o maior desafio de gestão que vocês têm hoje? No nosso caso, a questão financeira é sempre primordial. Nossa operação é cara e suscetível a altas de câmbio por conta de equipamentos importados. Além disso, a necessidade de constante treinamento e atualização de nossos voluntários exige dedicação e empenho (tempo!) que nem todo mundo tem. É preciso dom para ser bombeiro e gerenciar milhares de voluntários 24 horas por dia é uma tarefa árdua.

E o maior orgulho? O maior orgulho é ser indicado há anos como a instituição mais querida e respeitada da cidade. É ver nos olhos marejados das vítimas socorridas e seus parentes o agradecimento por salvar suas vidas e patrimônio.

Tem uma história de voluntariado ou ação que vale a pena contar? Temos histórias diárias de dedicação e também fatos marcantes e, de certa forma, inusitados, como o resgate de uma boneca. O brinquedo, “filho” de uma pessoa com necessidades especiais, caiu da sacada do apartamento em local de difícil acesso, causando grande comoção na família toda pelo desespero do “pai”. Nossa equipe levou 4 bombeiros e a maior plataforma elevatória que temos para alcançar o Nico (nome do boneco). A felicidade do resgate bem sucedido prova que toda a vida conta e estaremos sempre prontos para atender os chamados da comunidade.

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