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“De 8 doadores, passamos para mais de 100”

Eleita uma das 100 melhores ONGs do Brasil e destaque no Nordeste, CEPFS conta como conquista fez a diferença

O Prêmio Melhores ONGs tem como um dos principais objetivos ser um farol para orientar doações e fortalecer as organizações que se destacam. O Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS), que atua na busca de soluções para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar em regiões que sofrem com a seca periódica no semiárido brasileiro, é uma dessas organizações. Pela terceira vez entre as 100 melhores do país, a ONG foi uma das melhores da região Nordeste na edição 2020 — dividindo o primeiro lugar com o Instituto Nordeste Cidadania (Inec).

Nós conversamos com o Coordenador Executivo da ONG, José Dias Campos, que nos contou como o Prêmio tem influenciado no trabalho por lá. Confira!

Como foi a repercussão de ganhar o prêmio? Foi muito positiva. O Prêmio é um referencial de motivação tanto institucional como também para as famílias engajadas nas iniciativas de implantação de tecnologias sociais de convivência com a realidade do clima semiárido.

Vocês comemoraram internamente? Não tivemos a oportunidade de comemorar de forma coletiva, presencial, devido a necessidade de distanciamento social por conta da Covid-19. Mas compartilhamos muito bem em nossas redes sociais como uma importante conquista.

A premiação ajudou a captar recursos, voluntários, parcerias, reconhecimento da comunidade? Sem dúvida. Em anos anteriores, desenvolvemos uma campanha de captação de recursos intitulada “Abrace o Semiárido”, objetivando captar recursos para apoiar famílias carentes na construção de cisternas. Foram campanhas bem sucedidas, influenciadas pela conquista do Prêmio Melhores ONGS e também do Selo Doar. No ano passado, desenvolvemos a campanha “Eu apoio o CEPFS”, com o objetivo de ampliar o número de doadores recorrentes. A campanha teve êxito. De 8 doadores, passamos para mais de 100.

Quais são os planos para 2021? Vão se inscrever outra vez? Em 2021 devemos continuar firmes com a missão de ajudar a quem mais precisa e mudar suas condições de vida. Para isso, precisamos conquistar novos parceiros e doadores. Pretendemos sim nos inscrever outra vez.

Como a pandemia está afetando o trabalho de vocês? As medidas de distanciamento social nos afetaram bastante, principalmente na realização de atividades presenciais. Mas, temos nos adequado à realidade através de contatos virtuais, criação de grupos de WhatsApp para troca de experiências entre as famílias participantes, por meio da gravação de áudios e postagem de fotos. Continuamos firmes.

Que conselho  podem dar para as organizações que concorreram e não ganharam? Não desistir, melhorar aquilo que avaliam que está um pouco frágil e se inscrever novamente. Nunca desista do seu objetivo, lute por ele.

Qual é o maior desafio de gestão que a ONG tem hoje? Ter ferramentas que facilitem objetivamente o registro e o compartilhamento, em tempo hábil, do que estamos fazendo com os parceiros e com a população de um modo geral.

E o maior orgulho? Permanecermos na luta, promovendo a resiliência de agricultores e agricultoras de base familiar e obtendo conquistas e referenciais de que estamos no caminho certo.

Podem contar alguma história inspiradora? O comprometimento das lideranças comunitárias por meio da participação nas centrais de associais em nível dos municípios, nos diagnósticos comunitários, enfim, nos processos de formação, como forma de fortalecimento da luta coletiva para melhorar as condições de vida das comunidades e, por conseguinte, suas vidas. Alguns ainda dizem que não ganham nada, mas, a grande maioria diz que ganha experiências e as conquistas são frutos da luta, do voluntariado e de todos que se dispõem a participar do debate como caminho de aprendizado coletivo e estratégia para vencer os obstáculos que surgem no dia a dia.

Foto: divulgação CEPFS

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